Sustentabilidade

Como funciona a Energia solar em apartamento e condomínio?

Você já imaginou morar em um apartamento e mesmo assim conseguir gerar a própria energia elétrica? Pois é, muita gente ainda acha que energia solar só funciona para casas, sítios e empresas, mas a verdade é que os condomínios e apartamentos também podem se beneficiar – e muito – dessa tecnologia limpa e econômica.

Hoje em dia, com o aumento constante da conta de luz e as preocupações com o meio ambiente, instalar painéis solares em condomínio residencial virou uma alternativa não só viável como também vantajosa. E o melhor é que já existem regras e modelos que facilitam essa instalação, mesmo em prédios onde não há muito espaço disponível no telhado.

Neste conteúdo, você vai entender como funciona a energia solar em apartamento, quais são os modelos possíveis, como dividir os créditos de energia entre os moradores, se vale a pena investir e quais os primeiros passos para começar a gerar sua própria energia mesmo morando num prédio.

O Que é Energia Solar e Por Que Tanta Gente Está Apostando Nela?

Energia solar fotovoltaica é aquela gerada através da luz do sol. Os painéis solares captam a radiação solar e convertem essa energia em eletricidade por meio de um equipamento chamado inversor. Essa eletricidade pode ser usada imediatamente ou então enviada para a rede elétrica da concessionária.

O sistema mais comum no Brasil é o sistema conectado à rede, chamado de on-grid. Quando sobra energia, ela é injetada na rede e vira um crédito de energia, que você pode usar depois, abatendo da sua conta.

Por ser uma fonte renovável, limpa e praticamente inesgotável, o uso da energia solar está crescendo muito no país. A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) já registrou mais de 2 milhões de unidades consumidoras com geração distribuída em 2025.

É Possível Instalar Energia Solar em Apartamento?

Sim, e de várias maneiras. O que muda é o modelo de uso e a forma como os créditos de energia gerados vão ser distribuídos entre os moradores. Tudo depende do tipo de instalação e do tipo de condomínio.

Modelos mais usados por condomínios e apartamentos:

  • Sistema coletivo no telhado do prédio
  • Sistema remoto (usina compartilhada fora do prédio)
  • Energia solar para áreas comuns apenas
  • Geração compartilhada entre moradores

Sistema Solar no Telhado do Condomínio

Esse é o modelo mais comum quando o prédio tem espaço no telhado. Os painéis solares são instalados na parte superior do edifício e o sistema é conectado ao relógio de energia da área comum do prédio.

A energia gerada ajuda a alimentar luzes de garagem, elevador, portão eletrônico, câmeras e tudo mais que for de uso coletivo. Com isso, o condomínio consegue uma redução significativa nos custos da conta de luz mensal.

Se o projeto for bem dimensionado, o sistema pode gerar créditos de energia solar excedentes, que podem ser redistribuídos entre os apartamentos, desde que isso esteja previsto em assembleia e no contrato com a distribuidora de energia.

Geração Compartilhada: Divisão Entre Moradores

Quando a ideia é que os moradores também se beneficiem diretamente, o condomínio pode usar o modelo de geração compartilhada, previsto pela Resolução Normativa nº 687/2015 da ANEEL.

Funciona assim:

  • O sistema solar é instalado no condomínio
  • Cada morador “compra” uma parte do sistema ou participa com uma cota definida
  • A energia gerada é convertida em créditos individuais proporcionais ao investimento ou cota
  • Esses créditos são abatidos diretamente na conta de luz do morador

Isso exige um bom controle, registro em cartório e acordo coletivo, mas funciona de maneira justa e transparente.

Usina Solar Remota: Quando Não Tem Espaço no Prédio

Se o condomínio não tiver espaço no telhado ou se não for viável instalar os painéis ali por algum motivo técnico ou legal, ainda assim há solução: geração remota.

Nesse modelo, o condomínio ou um grupo de moradores se junta para investir em uma usina solar fora do prédio, em uma área rural ou espaço amplo. Essa usina gera energia e envia para a rede elétrica, gerando créditos que vão direto para os apartamentos, mesmo à distância.

Esse sistema é permitido por lei e muito utilizado em cidades grandes, onde o espaço é limitado.

E Se For Apenas Para as Áreas Comuns?

Nem todo condomínio quer ou precisa dividir a energia entre os apartamentos. Em muitos casos, o objetivo é apenas reduzir os custos da área comum, e para isso, basta um sistema dimensionado para alimentar elevador, portão, iluminação, bombas d’água etc.

A economia pode chegar a 90% da conta de energia dessas áreas, o que impacta diretamente no valor do condomínio. E ainda por cima, valoriza o imóvel e melhora a imagem do prédio em relação à sustentabilidade.

Benefícios da Energia Solar em Condomínios e Apartamentos

Instalar energia solar em condomínio tem muitas vantagens. Confira algumas das principais:

Vantagens econômicas:

  • Redução nas contas de luz da área comum e dos moradores
  • Geração de créditos energéticos
  • Retorno do investimento em média entre 4 a 6 anos
  • Valorização dos imóveis do condomínio

Vantagens ambientais:

  • Redução de emissão de CO₂
  • Uso de energia limpa e renovável
  • Menos dependência de hidrelétricas e termoelétricas

Vantagens sociais:

  • Aumento da consciência ecológica
  • Possibilidade de acesso coletivo à energia renovável
  • Participação mais democrática em soluções sustentáveis

Quanto Custa Instalar Energia Solar em Apartamento?

O valor varia muito, mas para ter uma ideia, um sistema pequeno para áreas comuns custa a partir de R$ 15 mil a R$ 25 mil. Já um projeto maior, que inclua geração compartilhada, pode passar de R$ 100 mil, dependendo do número de moradores e do consumo energético.

O investimento assusta no início, mas como o retorno vem em forma de economia todos os meses, o custo-benefício acaba sendo muito vantajoso no longo prazo.

O Que Diz a Legislação?

O uso de energia solar em condomínios é amparado por resoluções da ANEEL, especialmente a Norma 687/2015, que regula a geração distribuída e a divisão de créditos.

Além disso, desde 2023, entrou em vigor o Marco Legal da Geração Distribuída (Lei 14.300/2022), que estabeleceu regras mais claras sobre o uso da energia solar, inclusive para condomínios e propriedades compartilhadas.

É essencial ter um projeto técnico aprovado, registro junto à concessionária de energia e aprovação em assembleia condominial.

Dicas Para Começar um Projeto de Energia Solar no Seu Prédio

Se você mora em apartamento e quer iniciar um projeto de energia solar, veja alguns passos essenciais:

  • Converse com o síndico e apresente as vantagens do sistema
  • Solicite um estudo de viabilidade com uma empresa especializada
  • Faça assembleia e aprove a instalação com maioria dos condôminos
  • Defina o modelo ideal: áreas comuns, geração compartilhada ou remota
  • Contrate uma empresa credenciada para projeto, instalação e homologação
  • Registre os moradores participantes em cartório, se for necessário

Vale Mesmo a Pena?

A resposta é sim. A energia solar em condomínio é um investimento coletivo inteligente, que traz retorno, economia e ainda contribui para um mundo mais limpo. Além disso, os imóveis com esse tipo de tecnologia ficam mais valorizados no mercado.

Mesmo que o valor inicial da instalação seja alto, a economia na conta de luz é real e constante. E o retorno chega rápido, principalmente em locais onde a conta de luz é muito cara.

Instalar energia solar em apartamento ou condomínio não é mais um sonho distante. Já existem regras, modelos e tecnologias acessíveis que permitem gerar energia limpa mesmo morando em prédio.

Com planejamento e participação dos moradores, é possível transformar o condomínio em um espaço sustentável, econômico e moderno. Seja para abastecer só as áreas comuns ou para gerar energia para todos os moradores, a energia solar é hoje uma das melhores alternativas para quem quer economizar e ajudar o planeta ao mesmo tempo.