O futuro florestal do Rio Grande do Sul

quinta, 25 de dezembro de 2008

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Com uma história centenária na atividade de silvicultura, cadeias produtivas instaladas a partir de uma base florestal construída com abnegação e pioneirismo nas mais diversas regiões de nosso Estado e que propiciou o desenvolvimento da ciência florestal em nosso meio, criou-se uma situação e um clima favorável à ampliação desta base florestal, através dos investimentos dos produtores tradicionais e também fomos alvo do interesse de empresas nacionais voltadas à produção de celulose. Aplicando a citação acima, podemos parafrasear dizendo: “No momento em que o Rio Grande do Sul se considerou escolhido para ser o primeiro ou segundo pólo florestal do país, surgiu o que há de melhor e de pior nele existente.” Revelou-se um leque de oportunidades e uma força de trabalho forjada no tempo, alicerçada no conhecimento técnico e científico construído através das nossas Escolas, Universidades e Centros de Pesquisa que, aliadas ao homem do campo e às empresas, desenvolveram pesquisas sérias a campo, nas florestas, nos laboratórios das Universidades e buscando o conhecimento onde ele estivesse. Desta forma, produtores, trabalhadores, empresários e entidades das mais diversas se uniram para lançar um programa florestal sustentável, no tripé do desenvolvimento econômico, social e ambiental. Revelou-se também o outro lado, movido por razões diversas, muitas ainda não claras. Daí, impressionante é o tratamento que foi dado à silvicultura, como se fosse uma atividade nova no Estado, degradadora do meio ambiente, quando esta existe há mais de cem anos e sustenta uma cadeia produtiva de base florestal consolidada, na qual se destacam vários segmentos industriais, aprimorando-se cada vez mais no atendimento da legislação e indo além desta, com vistas à sua certificação. As críticas, o diálogo e o contraditório são necessários e fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa, mas o setor florestal foi alvo de certas miopias e o modo mais truculento com o qual se tenta impor a rejeição aos plantios florestais, inclusive com ações judiciais que visam prejudicar a atividade, atingindo instituições e pessoas. Apesar de outras culturas também sofrerem deste flagelo, nada tem sido tão desproporcional e descabido quanto às críticas arbitrárias, infundadas, sem discernimento e quase sempre desprovidas de qualquer critério técnico científico como as que são feitas sobre os plantios florestais. É salutar para o setor florestal a existência de críticos sérios, de recomendações de instituições de peso e com renomado conhecimento na área florestal, para que se continue progredindo, mas não se pode aceitar o lado escuso e pejorativo das críticas, que em nada contribuem para que se possa alcançar a forma mais sustentável de atender a demanda de nossa sociedade por produtos florestais. Mas quem investe em plantio de árvores se habitua a pensar e planejar a médio e longo prazo. Assim, a AGEFLOR, com visão de futuro, entendeu que o desenvolvimento passa pela construção de Arranjos Produtivos e estes, a exemplo da construção de uma casa sólida, devem ser edificados a partir dos Arranjos Produtivos Locais, nos Municípios, que são a “célula mater” da estrutura da sociedade organizada. Com esta determinação, iniciou-se a construção da cadeia do pinus, em sete municípios, através do COMPETPINUS e, a partir desta experiência em andamento, a AGEFLOR firmou convênio com a EMATER/RS e a FAMURS para a partir de 2009 passar a efetivamente construir o Arranjo Produtivo de Base Florestal do Estado, com base nos municípios onde se desenvolva a silvicultura ou tenham capacidade para desenvolvê-la, aliando-se a outras entidades e instituições ligadas às cadeias produtivas locais. Este o desafio no momento em que se fala em crise. Este o momento de nos unirmos com aqueles que realmente desejam uma sociedade desenvolvida no nosso Rio Grande, para planejar o crescimento da cadeia produtiva de base florestal e inserida, a partir dos interesses de cada comunidade local, respeitando seus anseios, suas capacidades e atividades já tradicionalmente desenvolvidas ou novas com potencial de ser.  Com esta visão, inserimos trecho da obra “Gestão, Inovação e Desenvolvimento dos Professores Valdir Roque Dallabrida, Pedro Luís Büttenbender e outros – das quatro instituições de ensino superior FAHOR, FEMA, SETREM e UNIJUI – EDITORA UNISC”.  “O fato é que o potencial de um território depende cada vez menos das suas condições físico-naturais (clima, solo, relevo, recursos) ou de sua posição geográfica para se desenvolver; outros fatores como a vontade, a capacidade, a habilidade, os valores e a organização humana estão se tornando fatores-chave. É necessário, entretanto, reconhecer que cada região possui uma história, uma cultura, um patrimônio, uma estrutura econômica e política diferente. Assim, não é possível supor que uma região possa determinar suas estratégias, utilizar seus recursos, definir seus produtos ou instituir seus planos da mesma forma que outra região o faz, ou utilizando-se de uma determinada metodologia, receita ou fórmula. Estratégias e planos de desenvolvimento regional não são simplesmente transferíveis e adaptáveis de uma região para outra. (...) Toda região que pretende constituir-se sujeito e não apenas objeto de novo cenário global, precisa conhecer-se a si mesma, conhecer suas forças e fraquezas, potencialidades, oportunidades e ameaças.” Desejamos às empresas Associadas da AGEFLOR, seus administradores, técnicos e colaboradores, às empresas e aos produtores associados nos programas especiais, ao quadro funcional, aos assessores e consultores, às Entidades parceiras em todos os momentos, na busca do desenvolvimento sustentável, nossa saudação, votos de um Feliz Natal com todos os seus e a afirmação da certeza de que juntos poderemos continuar na trajetória da construção de um Rio Grande, com maiores oportunidades para uma parcela maior de Riograndenses, filhos naturais ou adotivos desta terra maravilhosa, forjada pela coragem, determinação e trabalho das diferentes etnias que o escolheram como morada. Roque JustenPresidente Ageflor